quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sou um hacker e me orgulho muito disso!

Escrevi esse texto em 2009 para o finado blog Trezentos. Na época ele foi replicado em diversos blogs. Me perguntaram hoje a minha definição de Hacker, e fazendo uma busca hoje no Google para ver se ele ainda existia, descobri que só existe em um site (agradeço desde já o dono, pois por pouco não perco o texto.

Por esse motivo, replico o texto (de 2009) aqui. Ainda continua bem atual, e agora não perco mais ele. Enjoy-it!

Sou um hacker, pois “modifiquei” o mundo ao meu redor desde que me conheço por gente.
Tudo começou com o meu nome, que é uma junção das primeiras sílabas do nome do meu pai, e que alguns meses após meu nascimento, só servia para me chamar a atenção quando eu fazia alguma coisa errada (me reservo o direito de não divulgar aqui meu apelido, que ganhei muito antes do meu primeiro ano de vida e que me acompanha até hoje no meu círculo familiar). Se meu nome já foi fruto de um Hack, que escolha eu teria ?
Me lembro de ter tido alguns problemas “sociais” durante toda a minha infância, e eles pioraram quando eu hackeei o sistema educacional medieval presente e aprendi a ler e escrever sozinho dois anos antes de qualquer colega de escola.
Depois de muita repressão ignorante do sistema naquela época (e muito incentivo da minha família), acabei descobrindo que poderia me expressar de outras formas na sociedade e que não tinha necessariamente que seguir o “script” social que alguém havia designado para mim.
Tudo mudou de verdade quando minha paixão pela música me levou aos 9 anos a hackear minha própria bateria, montando uma bateria com caixas de uva (destas que sobram no fim da feira) e usando baquetas hackeadas de pedaços de antena de TV quebrada, resolvi ser baterista. Um primo meu viu uma de minhas performances e avisou a meus pais que eu era um baterista nato e que estudando ou não, eu o seria por toda a vida… fui parar num conservatório musical.
Na mesma época, demonstrei à minha família uma vontade maluca de falar inglês e por isso, acabei sendo premiado pelo meu pai com a oportunidade de estudar o idioma bretão (me lembro até hoje que chorei de alegria no dia em que ele me matriculou no curso de inglês)… Acabei Hackeando o curso todo e aos 13 anos de idade me vi obrigado a fazer duas vezes um certo módulo pois eu era “no mínimo 3 anos mais novo do que qualquer outro aluno da turma”… desisti do curso e terminei meu aprendizado na vida.
No conservatório, aprendi até o limite onde um aluno pode aprender e fui às aulas até o dia em que meu professor, pra lá de hacker, me avisou que “tudo o que ele poderia me ensinar ele já havia ensinado e que o resto, a noite me ensinaria”… com 13 anos isso soava quase como uma profecia de Nostradamus, mas hoje eu sei que ele tinha razão.
Também aos 11 anos, ganhei meu primeiro computador, um PC nacional comprado a muito custo pelo meu pai para ajudar a um amigo que estava em dificuldade financeira e se desfazia dos ativos de sua empresa… Hackear ganhou um novo sentido na minha vida (aliás, que saudade do “PC Tools”).
Aos 15 anos, tive um problema de saúde e veio o hack mais difícil da minha vida: Tive um “problema no cérebro” e minha única chance de sobrevivência era uma cirurgia… até que esta fosse realizada, tive que passar meses convivendo com a hipótese de que o problema poderia ser qualquer coisa, e mesmo depois de algumas semanas de internação e muita quimioterapia (ou o nome que davam a isso na época), ninguém sabia do que se tratava.
Me lembro de ter entrado na sala de cirurgia, careca, sozinho com lágrimas nos olhos e com uma gigantesca e gélida sensação de que “de agora em diante estou sozinho”… confesso que jurei para mim mesmo naquele momento que Deus não existia, mas no final da história, eu acabei acordando…
… em uma UTI, amarrado, com um tubo enfiado na minha garganta (que doía bastante), com alguma coisa nos meus olhos que não me permitiam enxergar direito o que havia na minha frente, mas ainda assim consegui identificar o meu pai, chorando desesperado, entendendo que eu estava sofrendo com uma dor imensa, e tentando me desamarrar daquela cama onde ele havia me encontrado… passei ali a pior noite da minha vida e confesso que não sei como não enlouqueci depois daquilo tudo… quando sai dali, me sentia um herói: Hackeei a morte (mas sei que ela vai tentar de novo e vai acabar ganhando).
Superei tudo isso e continuei hackeando… o colégio técnico em eletrônica, o vestibular e finalmente os anos intermináveis da faculdade de engenharia (e quem fez FEI aí sabe bem do que estou falando)…
Não tive “sucesso” como músico, pois minha banda fazia sucesso em nossa cidade na época em que o Jabá já havia se estabelecido e mesmo assim, chegamos a negociar nosso trabalho com uma gravadora multinacional (graças a Deus não deu certo, pois eu me odiaria ser mais um rendido que tinha enchido de dinheiro os bolsos das gravadoras, não passando de um “Hit dos anos 90” na cabeça das pessoas).
No último ano da faculdade, durante um debate em uma aula de sistemas operacionais, acabei abrindo a boca e falando que “meu sonho era um dia poder contribuir em uma norma internacional de TI”… É claro que virei motivo de piada de toda a turma (incluindo o professor, que incentivava os demais), mas naquela época eu já tinha recebido o apelido de Homembit por conta dos meus feitos na área de eletrônica digital… Hackeei mais esta limitação há pouco tempo, quando me tornei o responsável pela adoção do ODF como norma brasileira e ainda me tornei membro ativo do OASIS ODF TC (comitê internacional que desenvolve o ODF), sendo agora co-autor da nova versão do ODF (ODF 1.2).
Passei muitos anos preso ao sistema e às limitações técnicas que sempre foram impostas aos desenvolvedores e profissionais de tecnologia no Brasil, mas há alguns anos, conheci o mundo do Software Livre e de novo, hackeei o sistema imposto.
Trabalhei com a Internet desde que ela chegou ao nosso país, e sempre me senti mais do que obrigado a “dar um passo além”, hackeando a mesmice e o conformismo que sempre nos fez ficar de cabeça baixa em nosso tradicional papel de colonizados (digitais ou não)…
Há alguns anos, tive as oportunidades com as quais sonhei a vida toda, e só Deus sabe quanto trabalhei e ainda trabalho para poder hackear todas as limitações que me foram (e ainda são) impostas. Consegui contribuir para que o ODF fosse realidade no Brasil e na América Latina e para isso, tive até que hackear corações e mentes (que hoje são meus grandes aliados e me ajudam a continuar hackeando mais corações e mentes nesta caminhada). Me sinto muito feliz por ter feito tudo isso.
Quando ainda era criança, li “O Pequeno Príncipe” e nunca me esqueço do “És responsável pelo que cativas”, e penso que hoje poderia hoje ser melhor traduzido como “És responsável pelo que hackeias”…
Como muitos que conheço, depois de ter passado por tudo isso e vivido mais de 35 anos hackeando tudo e todos, sou obrigado a ver hoje um monte de gente (e organizações) mal intencionadas gastarem milhões de dólares num esforço mundial para alertar a todo o mundo que “Hackers são do mal” !
Akenathon hackeou o politeísmo propondo o monoteísmo, Galileu hackeou a teoria predominante de que a Terra era o centro do Universo mostrando o papel do Sol em nosso sistema, o Marquês de Sade hackeou a sexualidade na comunicação, Charles Darwin hackeou a teoria da evolução da humanidade, os Inconfidentes Mineiros hackearam o império português, Zumbi dos Palmares hackeou a escravidão no Brasil, Einstein hackeou Sir Isaac Newton, Vinton Cerf (e centenas de outros) hackearam o mundo das telecomunicações criando a Internet e Tim Berners Lee (e milhares de outros) hackearam a Internet criando a Web e Richard Stallman (e milhões de outros) hackearam o mundo do software criando o que temos, usamos e dependemos (gostando ou não) hoje !
(malditos hackers que construíram e moldaram o mundo em que vivemos… para não citar inúmeros outros exemplos)
Sim… Sou um Hacker, me orgulho muito disso e me ofendo muito quando vejo a mídia usar o que sou para identificar os CRACKERS, que sempre trabalharam contra tudo o que defendo e acredito.
Sinto esta raiva aumentar ainda mais, quando vejo estes mesmos CRACKERS vestindo terno e gravata, ocupando tribunas de senados no mundo todo, lutando contra o compartilhamento, a difusão do conhecimento e a criação de um novo paradigma social.

terça-feira, 30 de junho de 2015

O "Vê se te enxerga" que mudou a minha vida

Não lembro com precisão em que ano foi, mas provavelmente algo entre 1997 e 1998, que durante uma aula na faculdade de engenharia na FEI, quando estudávamos sobre padrões de comunicação e protocolos, alguém acabou perguntando a um professor como as normas do IETF e ISO para TI eram escritas. Ele deu lá uma explicação, falando sobre a participação de especialistas do mundo todo, mas avisando que a imensa maioria deles era habitante do hemisfério norte.

Empolgado com o tema, eu soltei um "Tá aí... um dia eu quero ser autor de uma norma dessas!" o que provocou uma gargalhada sarcástica do professor, que me olhando com raiva soltou um "Vê se te enxerga."

A turma toda riu da minha cara, e eu levei numa boa, apesar de no fundo ter ficado chateado em ver um professor universitário, que se gabava de ter criado muita coisa na época da reserva de mercado, falando com tanto desprezo com um aluno. No fundo não fiquei tão chateado assim, pois pra mim aquilo só servia para mostrar que parte do "vê se te enxerga" era provavelmente reflexo da bosta de curso que ele ministrava, e portanto um resultado do seu fracasso como professor de verdade. Sim, ele tinha (e tem) nome famoso no mundo da TI brasileira, mas guardo pra mim aqui este segredo.

No fundo aquilo me serviu de inspiração, e guardei aqui dentro de mim a utopia pessoal de um dia poder colaborar para o desenvolvimento de uma norma técnica internacional.

Os anos se passaram, minha vida deu um milhão de voltas, e depois de abrir mão de muita coisa e me chutar pra fora de uma zona de conforto que normalmente draga muita gente com utopias na cabeça no Brasil, me vi envolvido em processos de normalização internacional.

Representei o Brasil em reuniões internacionais da ISO, e acabei sendo um dos colaboradores do grupo que desenvolveu o padrão OpenDocument Format na sua versão 1.2, no OASIS. Aliás, eu era o único habitante do Hemisfério Sul naquele comitê.

Em Setembro de 2011 o ODF 1.2 foi aprovado no OASIS e pouco tempo depois eu me afastei totalmente do mundo da normalização, lendo esporadicamente uma notícia aqui ou outra ali.

Na semana passada, em uma das listas que ainda participo, recebi um e-mail contando sobre a aprovação do ODF 1.2 como norma ISO/IEC (as versões anteriores do ODF já eram ISO também, e a versão 1.0 é ainda uma NBR, processo que tive a honra de coordenar aqui no Brasil, dentro da ABNT).

O padrão é composto por três documentos, e ganhou o nome de  ISO/IEC 26.300:2015. Os três documentos podem ser acessados - em sua versão ISO - aqui, aqui e aqui. Se não fizer questão da versão impressa e de pagar um bom dinheiro por ela, pode acessar a norma gratuitamente no site do OASIS em diversos formatos, como ODF, PDF e HTML.

Dos tempos de faculdade até hoje, foram quase 20 anos de muito trabalho, muito estudo e principalmente muito suor e sacrifícios, pois como se deve bem imaginar, apesar do discurso empolgado de muito empresário nos fóruns e congressos de tecnologia que frequento no Brasil, infelizmente por aqui ninguém se importa com trabalho de normalização e portanto, pagar as contas enquanto se faz isso é quase uma profissão de fé.

Na verdade eu só escrevi este texto na esperança de que ele chegue até o meu antigo professor com a seguinte frase: "EU ME ENXERGUEI, E SOU CO-AUTOR DE UMA NORMA INTERNACIONAL".

Espero ainda que este depoimento chegue a diversos estudantes e profissionais de tecnologia no Brasil todo, que têm lá a sua utopia pessoal como eu tinha a minha. Um "Vê se te enxerga" não é sempre um balde de água fria. Ele pode ser um esteroide anabolizante que vai te dar forças naquelas horas em que tudo está indo mal e você está quase desistindo do seu sonho.

E confesso a vocês... é tão gostoso e gratificante quando nos enxergamos e vemos que somos bem maiores do que aquele que tentou nos "colocar no nosso lugar".

Grande abraço professor. Seus ensinamentos técnicos não me serviram pra nada na vida, mas o seu "Vê se te enxerga", mudou sim a minha vida, e para melhor. De coração, meu MUITO OBRIGADO!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O financiamento da inovação na era IoT

Em junho do ano passado, eu publiquei aqui no blog um artigo, compartilhando os sites que visito com frequência para dar uma espiada no futuro, e entre eles eu cite o papel do crowdfunding no financiamento da revolução da Internet das Coisas. Tenho abordado este tema em diversas palestras e conversas pelo Brasil todo, e muita gente ainda olha com algum ceticismo para este tipo de financiamento.

Finalmente ontem, surgiu algo absolutamente impressionante, que demonstra o que o crowdfunding é capaz de fazer.

A Peeble, empresa que fabrica smartwatches, lançou no Kickstarter uma campanha para angariar fundos para produzir o seu novo smartwatch, o Peeble Time. A meta deles era captar US$ 500k, e surpreendentemente a meta foi atingida em 17 minutos (sim... DEZESSETE MINUTOS). Mais que isso, eles alcançaram a cifra de US$ 1M (um milhão de dólares) em exatos 49 minutos.

Neste exato momento que escrevo, eles já conseguiram levantar US$ 9.457.964,00 e notem que a campanha dura ainda mais 30 dias !

Eu tenho vontade de pegar uma máquina do tempo e voltar alguns anos no passado - não precisa nem ser muito, uns 5 ou 6 já seriam o suficiente -  e encontrar um investidor de risco ou gestor de fundo de investimento e contar pra ele que em 2015, uma empresa competente com uma boa ideia na cabeça e capacidade comprovada de execução iria conseguir levantar mais de 10 milhões de dólares através de "doações individuais" em menos de 48 horas, em sua maioria feitas por pessoas comuns como eu e você. Certamente isso iria soar como piada ou utopia, mas voilá: está sendo feito.

Do mesmo modo que fico contente em ver este tipo de iniciativa dando certo em diversos projetos que acompanho, fico com uma inveja danada em ver a dificuldade para se conseguir algo parecido aqui no Brasil. Os obstáculos são enormes e o único projeto de hardware brasileiro que conheço que passou por isso, acabou forçando a empresa a sair do Brasil para conseguir produzir o equipamento e "realizar o sonho" dos seus fundadores... Triste, porém verdade.

Conversando recentemente com um experiente empreendedor norte americano, ele me contou que a principal diferença do ambiente de negócios aqui do Brasil para o americano é que por lá, as opções para que alguém possa "jogar tudo para o alto" e perseguir o seu sonho de abrir uma empresa sem passar fome no processo são muito maiores. Desde a formação focada no empreendedorismo desde cedo na grade curricular até diversas formas de financiar uma empreitada dessas (incluindo o crowdfunding), eles possuem um leque de opções bem grande para explorar.

Claro que nem tudo são rosas, e as empresas também enfrentam dificuldades no processo, e aí mesmo que novamente nossa cultura dá um baile em quem resolver tentar algo do tipo. Por lá, se uma iniciativa de empreendedorismo dá errado, culpa-se o mercado, a conjuntura econômica ou até a falta de sorte, e não é raro ver empresas de sucesso que só deram certo após a terceira ou quarta tentativa. Por aqui, quando uma empreitada dessas dá errado, o que resta ao empreendedor é ouvir um monte de críticas do tipo "você foi maluco", "trocou o certo pelo duvidoso e se deu mal" e até "como uma pessoa casada e com família pode se dar ao luxo de uma aventura dessas", pra não citar os problemas financeiros, jurídicos e burocráticos que ainda se tem para poder encerrar de vez a aventura.

Infelizmente por aqui, somos formados para ser funcionários de alguma grande empresa, e não para empreender e por isso mesmo, a maioria das pessoas extremamente talentosas e competentes que conheço, quando têm a faca e o queijo na mão para empreender e quem sabe se tornar o próximo Steve Jobs já está casada, com dois filhos dentro de casa, e alguns financiamentos (casa, carro e etc) para pagar religiosamente todo mês... aí só "fazendo loucura" mesmo, não ?

Que a lição que o crowdfunding do projeto do Peeble nos mostre que realmente é possível financiar colaborativamente empresas e ideias inovadoras, e que de alguma forma deixa uma pulga atrás da orelha em quem pode fazer qualquer coisa para que este tipo de iniciativa possa ser utilizada no Brasil para financiar nossos projetos e empresas inovadoras.

Andando por hackerspaces, makerspaces e afins pelo Brasil afora nos últimos tempos, cada dia eu fico mais frustrado em ver tanto talento e tanta gente brilhante sendo subutilizada. Se não mudarmos isso, jamais teremos um Steve Jobs brasileiro, e quem sabe com alguma sorte, teremos uma meia dúzia que vai conseguir algum dia trabalhar para a empresa dele.

Para quem quer saber mais sobre este novo recorde do Peeble no Kickstarter, dê uma olhada neste artigo aqui.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Precisando de dinheiro para desenvolver sua App ?

Durante as minhas andanças pelo Brasil fazendo a promoção do desenvolvimento de Apps multiplataforma nos últimos anos, ouvi uma centena de vezes a mesma frase: "Tenho uma ideia muito legal para um App, mas não tenho tempo e dinheiro para desenvolvê-lo". Um concurso lançado pelo Ministério das Comunicações há alguns dias, dá uma ajuda e tanto para esse pessoal: o Concurso INNOVApps.

Em resumo, o edital oferece de R$ 80 mil a R$ 100 mil a fundo perdido (não é financiamento), para quem desenvolver Apps e "Jogos Sérios" (jogos que ensinam alguma coisa), que sejam de interesse público e que se enquadrem nos seguintes temas:

  1. Direitos e Defesa do consumidor
  2. Educação / Ensino
  3. Saúde
  4. Mobilidade Urbana
  5. Segurança Pública
  6. Turismo e Grandes Eventos
  7. Gestão colaborativa de utilidade pública
  8. Tratamento de indicadores de políticas públicas (dados abertos)
  9. Difusão de campanhas de utilidade pública
Para quem quiser mais detalhes sobre o Concurso INOVApps, recomendo a leitura do edital disponível aqui, e recomendo ainda dar uma olhada nas perguntas mais frequentes aqui

Acho a oportunidade excelente para muitos desenvolvedores e empresas brasileiras, pois muitas vezes que ouvi a frase que citei acima, as ideias eram realmente inovadoras e ligadas a temas de interesse público (e por isso mesmo as pessoas se questionavam sobre como conseguir dinheiro para desenvolver aquilo).

Deixo aqui um alerta especial a diversos amigos que são membros de Coletivos pelo Brasil todo, pois grande parte das ideias de apps que ouvi de vocês nos últimos anos (ideias sensacionais, diga-se de passagem) são contemplados por este edital, que atende a pessoas físicas e jurídicas.

Vale a pena lembrar que cada vez mais os smartphones são dispositivos de inclusão social, e a proliferação destes dispositivos nas camada mais humildes do Brasil está crescendo bastante

Mão á obra e boa sorte a todos que vão participar do Concurso !

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quer dar uma espiada no futuro ?

Há alguns meses eu visito com frequência alguns sites de crowdfunding, acompanhando e monitorando ideias prá lá de geniais que as pessoas andam tendo pelo mundo afora.

Prá quem não sabe o que é crowdfunding, a explicação curta e grossa é o financiamento coletivo de uma iniciativa. Cada pessoal doa uma quantia em dinheiro, e recebe algo em troca com base nesta doação. Quer uma explicação melhor, dê uma olhada aqui.

Existem projetos buscando financiamento em diversas áreas, da música ao cinema, passando claro pelo maravilhoso mundo da tecnologia, contando com projetos para todos os gostos e bolsos.

O interessante destes meses de observação, é ver que alguns dos projetos de fato aconteceram e estão hoje disponíveis no mercado. Um deles é a placa Makey Makey, que nasceu no Kickstarter e está disponível hoje (aliás, recomendo uma dessas prá quem quer criar pequenos makers dentro de casa).

Vou deixar aqui o link dos dois sites que visito com mais frequência, sempre olhando a categoria "Tecnologia" deles.

O primeiro site é o Kickstarter, onde podemos encontrar projetos geniais como esta extensão elétrica que possui saída USB (a bagunça de carregadores na cabeceira da sua cama estão com os dias contados), um smartwatch com um design lindo e muito inovador, fones de ouvido sem fio de alta qualidade que são praticamente invisíveis quando estão sendo usados (quem gosta daquelas caixas acústicas da Beats nas orelhas vai detestar este) ou um sistema inteligente para monitoramento de jardins (ele coloca água automaticamente nas plantas e é alimentado pela luz solar... mão na roda, heim ?).

O segundo site é o Indiegogo, que na categoria tecnologia apresenta projetos muito legais como este scanner que simplesmente monitora o seu estado de saúde (e pode enviar dados para o seu médico automaticamente), este smartwatch controlado por voz e gestos, esta pulseira que vai simplesmente medir a sua ingestão diária de calorias (esse eu testou maluco prá ver de verdade) ou esta fechadura eletrônica para a sua casa com um monte de funcionalidades que deixaram este nerd que vos escreve com lombrigas digitais em alvoroço (você já encontra ela a venda nos Estados Unidos por um bom preço) !

Como podem ver, escolhi projetos que já bateram as suas metas de financiamento e que devem sair do papel nos próximos meses. Com um pouco de paciência, você consegue garimpar muita coisa genial nestes dois sites, portanto se quer dar uma espiada no futuro, visite-os com certa frequência.

Para finalizar, se você é mais do tipo "eu mesmo faço", fica a dica do site que muita gente já conhece (mas muita nunca ouviu falar) chamado Instructables. Basicamente é um site com receita-de-bolo para se fazer de tudo. De comida a organização de malas, novamente com uma área dedicada à tecnologia que é sensacional. Se você anda entediado, procurando uma paixão nova prá se divertir nas horas vagas, de nada... vai amar este site !

Boa navegação a todos, e se encontrar algum projeto que considera inusitado ou genial, poste o link para ele aí nos comentários !!!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Como inovar com a Internet das Coisas

Tive um professor na pós graduação, que gostava de dizer que a definição científica de problema é: Problema é tudo aquilo que tem solução. Se não tem solução é fato, não problema.

Há tempos busco a origem de tal afirmação e nunca a encontrei com precisão. Já encontrei provérbios chineses, definições linguísticas e ditados populares que são parecidos, mas nunca encontrei esta definição assim tão escancarada. Independente da origem, há alguns anos tenho dividido os problemas que encontro na vida nestas duas categorias: problemas e fatos. Me concentro nas possíveis soluções da primeira categoria e me preparo para conviver e aceitar (ou não) os fatos da segunda. Por incrível que parece, isso tem me ajudado bastante a analisar os desafios técnicos que encontro na minha vida profissional diariamente.

É sob esta ótica que gostaria de propor uma reflexão sobre as reais oportunidades de negócios que estão surgindo com o advento do que chamamos de Internet das Coisas (ou Internet of Things – IoT em inglês).

Muito do que tenho lido e visto sobre o assunto, parte do princípio da aplicação das tecnologias de IoT à solução de problemas já identificados hoje. Em outras palavras, muito do que vemos são propostas de soluções mais elegantes ou inteligentes do ponto de vista da tecnologia, mas acredito que pensar assim é ver apenas a ponta do iceberg: o IoT permite resolver problemas que jogamos hoje na categoria “sem solução”.

A reflexão que proponho, e da qual acredito que grandes ideas de produtos e serviços poderão sair é a de definitivamente esquecer as limitações tecnológicas que encaramos nos últimos anos, e procurar soluções alternativas aos problemas que encaramos no nosso dia a dia. Acredito que a verdadeira inovação do IoT deve nascer desta quebra no modelo de raciocínio estritamente técnico que temos hoje, onde sob a luz da tecnologia que conhecemos propomos uma solução técnica para um problema existente. Em outras palavras, o que quero propor é que deixemos mais as ideias correrem soltas antes de colocarmos a elas as amarras e limitações das tecnologia que conhecemos (até porque aposto que tem bastante coisa no mundo do IoT que muita gente sequer imagina que existe :) ).

Existem vários exemplos disso, como a utilização eficiente de pesticidas na agricultura (será que eu não consigo medir com maior precisão uma área da plantação afetada, identificar a praga e agir especificamente ali), ou o rastreamento inteligente de alimentos perecíveis (será que uma empresa de distribuição de carne resfriada não consegue saber com antecedência que um determinado percentual da sua carga em um caminhão já não está mais em condições ideais de consumo, e tomar a decisão de recolher a carga ao invés de entregar uma bela encrenca para seu cliente final) chegando a coisas mais simples do nosso cotidiano, como encontrar uma forma mais inteligente e divertida de me ajudar a perder os kilos que preciso (através de wearables que meçam com mais precisão o meu consumo diário de calorias, integrados a apps que medem a minha ingestão diária de alimentos) ou ainda alguma coisa que me ajude a responder a pergunta assustadora que me faço quase toda noite: será que tomei a dose correta do meu remédio da pressão hoje ?

Não é apenas o monitoramento indiscriminado de dados e informações, mas a utilização efetiva e em tempo hábil destas informações, para que pessoas e empresas tomem decisões adequadas com maior efetividade. Não é também a utilização de tecnologia de ponta a um custo de milhares de dólares, mas sim o projeto de soluções que utilizem dispositivos praticamente descartáveis (a um custo mínimo, pensando inclusive na possibilidade de reuso).

Como podem ver, a construção deste tipo de dispositivos ou aplicações demanda não apenas uma solução de hardware, mas muito software e integração entre dispositivos e nuvem para que tudo funcione a contento, e é essa a grande oportunidade que vejo para as empresas brasileiras neste novo mundo, e cá entre nós, quando o assunto é criatividade e “dar um jeito” em problemas do cotidiano, somos especialistas. Para os que acham isso ufanismo, sugiro a pesquisa que tenho feito há anos: sempre que encontrar um estrangeiro, pergunte a ele como se aperta parafuso no dia a dia das famílias em seu país. Depois que ele responder, conte que apertamos com uma faca, e veja a reação... eu adoro :D

O primeiro passo e que realmente vai importar nesse novo mundo, é relativamente simples de conseguir: Sabe aquela coisa que te incomoda ou incomoda o seu cliente todo dia, aquela que você deixou de lado pois não tinha solução ? Que tal revisitá-la sem pensar imediatamente nas amarras da tecnologia ?

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O seu próximo velocímetro será um App !

Há algum tempo que todos nós, amantes da tecnologia, ouvimos falar sobre os InCar Infotainment Systems, ou sistemas de entretenimento embarcados em automóveis, mas o que foi mostrado na CES na semana passada em Las Vegas elevou e muito a barra nesta área.
Tradicionalmente limitados a uma tela touch localizada no console central dos carros, estes sistemas tinham como exemplos básicos os tradicionais vídeos (DVD-Style), alguns Media Players para música com interface mais bonitinha, TV Digital e de algum tempo pra cá navegadores GPS. Alguns deles ainda tinham informações sobre o status do veículo, que nada mais eram do que uma apresentação mais bonitinha das informações já disponíveis nos computadores de bordo existentes atualmente (e diga-se de passagem, estes computadores de bordo costumam ter um modo de operação nada trivial para quem não é bem chegado em nerdices a bordo).
O que foi mostrado na CES no entanto, expande e muito o que estávamos acostumados a ver nos carros: o “painel de entretenimento” foi parar no painel central (sim, no lugar do painel de instrumentos), e os carros ganharam conectividade de ponta, com suporte até a LTE (me passa o IP do seu carro ?).
As duas fotos abaixo mostram o painel de um Audi Next TT que foi apresentado no evento:


Fonte: http://blog.cars.com

Fonte: Autoblog

Se olharem com um pouco mais de atenção para as duas imagens, e principalmente se tiverem a curiosidade de procurar na web os diversos vídeos que foram feitos dentro dos carros, vocês irão reparar que o Tacômetro e o Velocímetro deste cara são “virtuais”... em outras palavras, são sim Apps !
Os medidores de combustível e temperatura do motor, aparentemente ainda são “tradicionais”, mas os dois outros instrumentos são de fato software.
Isso me chamou a atenção, pois a integração do software com o carro aparentemente está chegando a um nível jamais visto, e não vejo como algo muito distante termos em breve uma API da Audi (e de outros fabricantes) focada no desenvolvimento de Apps ou instrumentos virtuais para automóveis. Não gostou do velocímetro redondo... sem problemas... pague US$ 0,99 e instale este outro aqui quadrado e “vintage”, cópia fiel daquele carro clássico do ano 1974.
Não preciso nem mencionar aqui que o acesso “somente leitura” a diversos dados dos automóveis somado a conectividade direta com a Internet permite o desenvolvimento de uma série enorme de aplicativos que sequer podemos imaginar hoje. Cansado de controlar o consumo de combustível do seu carro? Sem problemas... por mais US$ 1,99 você instala um App que controla o consumo do seu carro na nuvem, e disponibiliza esta informação pra você em um App no seu smartphone. Nunca lembra de trocar o óleo do carro? Sem problemas... Nós da Homembit's Oil Company te damos gratuitamente este App que monitora o status do óleo do seu carro e te lembramos de fazer a troca no momento certo. Nosso App até se integra ao GPS do seu carro para te ajudar a chegar a nossa loja mais próxima, agendamos a troca no melhor momento em sua agenda de compromissos, e não é só isso: Ainda te damos um desconto especial na primeira troca!
Falando em integração com navegador GPS, reparem na foto que ele agora foi parar dentro do painel central do carro, muito mais intuitivo do que aquele treco pendurado no vidro da frente do carro, e claro, se tem um GPS aí porque não imaginar que também podemos ter ali um client do Facebook ou um bom client de e-mails, afinal de contas, parado no trânsito das nossas metrópoles, nada mais legal do que dar uma geral nessas coisas sem tirar as mãos do volante.
Esta possibilidade de inclusão de inúmeras coisas que podem “distrair” os motoristas direto ali no painel central dos automóveis também gera inúmeras preocupações.E por isso mesmo um amigo que esteve na CES comentou comigo que uma conversa de corredor comum de se ouvir por lá foi sobre como adequar a legislação existente para impor restrições e limites seguros para estas tecnologias. Tenho a impressão que desenvolver essa legislação vai dar um trabalho razoável, e olha que não estou nem citando aqui as questões de privacidade e segurança envolvidas. Mãos no volante estão praticamente garantidas, o desafio agora é garantir os olhos na estrada.
Voltando aos aplicativos, acredito que a utilização em massa destes sistemas nos veículos vai abrir uma frente gigantesca para empresas e desenvolvedores, e a produção de Apps para veículos vai, cedo ou tarde, ter que fazer parte da agenda de muita gente.
Sendo assim, caro amigo, se você acreditava até hoje que o desenvolvimento de Apps era restrito a smartphones e tablets, é bom começar a rever seus conceitos. Sempre brinquei nas minhas palestras sobre o desenvolvimento de Apps para geladeiras, e agora estou contente em constatar a realidade: Meu próximo carro (ou o que vier depois dele) vai ter um App como velocímetro, e quero me preparar que não seja um velocímetro qualquer – quero o “meu velocímetro” rodando nele :)